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A viagem de fé


Já vai algum tempo desde que fiz uma promessa a nossa Senhora de Fátima. Na altura da construção da nossa casa, tinha prometido, que caso tudo corresse bem nos 3 anos que tínhamos pedido de licença de construção, no ano seguinte, iria a Fátima a pé. Mas, como outros planos se colocaram no meio, tratamentos e gravidezes perdidas, acabei por ir adiando o cumprir dessa promessa, porque não parecia o tempo certo, porque tinha medo que atrapalhasse todo o processo que estava a acontecer. 

Foi durante este último tratamento, que ocorreu durante o mês de Maria, que eu virei-me para ela e lhe pedi que me guiasse, que me mostrasse o que eu precisava fazer para que este nosso objetivo fosse alcançado. Sentia-me perdida e precisava de um sinal de esperança, e coincidência das coincidências, a minha mãe falou-me de promessas não cumpridas. Esta conversa não me saía da cabeça, e acabei por comentar com os meus pais sobre esta promessa que ainda não tinha cumprido e, foi daí, que surgiu uma pequena aventura.
Inicialmente, ainda pensei em tirar uns dias de férias e ir no grupo de Marecos, que vai na peregrinação de Outubro, mas como o meu companheiro não ia conseguir tirar férias nessa altura e queria me acompanhar, acabamos por decidir os 4, ir a Fátima a pé nas férias de Agosto, eu pela promessa, a minha mãe por querer passar pela experiência, o meu companheiro por me querer acompanhar e o meu pai serviu como o nosso carro de apoio, porque alguém tinha de o fazer. 

Eu e a minha mãe já fazíamos caminhadas diariamente, mas após a decisão da ida a Fátima tivemos os 4 de aumentar aqui um pouco a intensidade dos treinos para que as pernas não nos falhassem durante os 6 dias que iríamos necessitar para lá chegar. Num fim de semana, fomos inclusive, a Santa Rita e no seguinte fizemos o trilho do Cavalum, em que fomos até ao ponto de partida a pé, de modo a aumentar os quilómetros a percorrer. Estas duas viagens serviram quase como um treino de teste, a ver como o nosso corpo reagiria no dia seguinte. 

As duas viagens correram bem, então, na madrugada de 15 de Agosto lá começamos esta jornada. Para a primeira etapa, seguimos a rota do google maps até à Igreja de Lourosa, que era para apanhar o trilho dos caminhos do Norte, que fazem parte dos caminhos de Fátima (https://caminhosdefatima.org/caminhos/caminho-do-norte/). 

Igreja de Lourosa

Fomos seguindo estes trilhos usando o Wikiloc, até Albergaria a Velha. Durante estas etapas fomos cruzando linhas de comboio, algumas ruas decoradas, vários peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela e algumas zonas de Floresta, algumas bem isoladas até.





Quando chegamos a Albergaria a Velha, acabamos por desistir de seguir o caminho do Norte, porque estávamos a ver que íamos passar por muita área de floresta. E, como já tínhamos feito alguns quilómetros, vimos que este caminho nos iria cansar muito mais do que indo sempre pela nacional ou urbanizações como nas duas primeiras etapas. Então, lá voltamos ao google maps, onde andamos 
maioritariamente pela Nacional 1 até chegarmos ao Pombal. 

Coimbra


Quando chegamos ao centro do Pombal, estávamos ainda a seguir o percurso indicado pelo google maps, quando fomos abordados por um senhor que nos indicou que seguíssemos outro caminho, faríamos menos Kms. Fizemos a alteração à rota e começamos a encontrar com muito mais frequência placas a indicar o caminho centenário de Fátima, que, pelo que soube depois, começaria em Vila Nova de Gaia, e é um trilho que está a ser criado para tirar os peregrinos da Nacional 1, sendo, também um dos mais curtos.
 
Placas do caminho centenário

Quando começamos a nossa jornada ainda chegamos a encontrar algumas placas, mas não estavam tão bem sinalizadas como na zona do Pombal, em que em cada cruzamento existia uma placa a indicar o caminho que devíamos seguir e, mesmo no site dos caminhos de Fátima não consegui encontrar um ficheiro da rota que pudesse usar no Wikiloc, como o caminho do norte. Mas, basicamente, a partir do Pombal, deixamos de usar google maps e Wikiloc e fomos sempre seguindo as placas que indicavam o caminho centenário. Foi esta última etapa, uma das mais duras, muito pelo cansaço acumulado e também porque tens muitos quilómetros em subida e algumas bem acentuadas. No entanto, é das que te vai motivando mais, porque sentes que estás mesmo quase a atingir o teu objetivo, e então o desistir nem te passa pela cabeça.

 
As placas que nos iam dando motivação no último dia

Durante a última etapa, já mais perto do santuário, encontramos a santa dos peregrinos, onde é possível ver alguns coletes, terços e outros acessórios usados pelos peregrinos que ali passam. Se lá passarem, poderão encontrar um chapéu da família Faz-Tudo do dia 20 de Agosto de 2025.

A Santa dos Peregrinos


Depois de toda esta jornada, chegar ao Santuário de Fátima é uma sensação que não consigo transmitir por palavras. É conjunto de sensações, uma espécie de alivio, de aconchego, de calma, é muita coisa. Sempre fui um pouco sensível relativamente aquele espaço, não consigo explicar o motivo, mas parece que o coração fica mais cheio naquele sítio e, depois desta jornada, ainda mais sensível fiquei e, digo-vos que muito provavelmente, voltarei a repetir esta jornada, mesmo depois de todo o sacrifício, voltarei a fazê-lo. Foram muitas latas daquele spray frio, muita pomada e também alguns anti-inflamatórios, mas toda a jornada se torna especial. É bonito estarmos a fazer este caminho e encontrarmos outros peregrinos, onde vamos partilhando motivação. Camionistas, motoristas que passavam por nós, levantavam a mão, ou tentavam dar a sua motivação, é uma experiência boa mesmo com todo o sacrifício envolvido. AAAh e pela primeira vez na vida, vi um veado ao vivo, uma das muitas coisas mágicas que podem encontrar durante todo este caminho.


A equipa

Se pensarem em fazer esta jornada não hesitem entrar em contato comigo.
Até à próxima aventura,
ASilva




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