No dia 6 de Abril de 2026 fui à minha primeira consulta de psicologia. Fui sem expectativas, sem saber o que dizer quando me perguntassem o que me levou a chegar ali, mas a conversa surgiu naturalmente. Costumo ficar um pouco nervosa ou constrangida quando vou falar com alguém que não conheço, mas não senti nada disso naquele consultório, porque eu estava ali para arrumar a cabeça. Na última gravidez não consegui saborear o positivo, nem criar ligação com aquele embrião porque o medo de perder novamente me fez criar uma espécie de escudo. No entanto, senti que isso não faz parte daquilo que sou. Quero viver cada momento em paz, com esperança, mesmo sabendo que posso voltar a perder.
A proximidade de mais uma consulta estava a deixar-me ansiosa. Eu que não sou de sonhar estava a ter vários por noite e acabava por sentir que o corpo não estava a descansar o que precisava. Foi o sintoma final que me fez querer marcar a consulta. Sempre fui alguém calmo que sabia aceitar aquilo que não controlava, mas neste momento, acho que estou a perder um pouco dessa calma. Quero tanto pensar positivo que estou a deixar o medo consumir-me, porque simplesmente não quero lidar com ele. Foi durante a consulta que me dei conta disso, porque a psicóloga, perguntou-me porque quero tanto estar bem a pensar positivo se tenho esta bagagem toda comigo. Simplesmente estou a acumular, não a arrumar e, começo agora, a sentir esse peso.
Tenho esperança que esta ajuda me venha trazer a Andreia que sinto saudades. A Andreia leve que aproveitava cada momento o melhor que conseguia, sem estar sempre a questionar o que seria o dia de amanhã.
Até à próxima aventura,
ASilva
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